Review – StarCraft II

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Review – StarCraft II

Mensagem por RenatoDash em Sab 9 Out - 14:33




“Já tava na hora”, diz Tychus Findlay na abertura de StarCraft II. Não há frase que melhor represente a ansiedade dos jogadores para por as mãos nesta continuação. Após Brood War, a primeira e única expansão de StarCraft, a Blizzard se concentrou na produção de Warcraft 3 e World of Warcraft, respectivamente. Isso sem falar das expansões de WoW: The Burning Crusade e Wrath of the Lich King. Claro que StarCraft II já estava no forno há um bom tempo, mas não com 100% de dedicação por parte da Blizzard. Como todos sabem, a produtora gosta de produzir seus games um de cada vez para oferecer o máximo de qualidade. Doze anos se passaram e StarCraft II chega às lojas trazendo tudo aquilo que amamos no game original e mais uma boa pitada de novidades.

Na trama, o mercenário Jim Raynor luta contra a dominação dos Terranos, liderada por Arcturus Mengsk e intitulada “A Supremacia”. Para complicar sua vida, a mídia (controlada por Mengsk) atribui um falso perfil de criminoso e traidor ao protagonista. Raynor tem também outro motivo para seguir com sua revolução: o amor por Sarah Kerrigan. Ela foi traída e deixada por Mengsk no campo de batalha para morrer, durante uma missão suicida. Mas ao invés de ser morta, os Zergs a levaram para transformá-la em sua Rainha das Lâminas. Após anos de silêncio, Kerrigan retorna invadindo e destruindo sem piedade todos os planetas que encontra pela frente.

Tychus, parceiro de Raynor, é outro personagem importante na trama. Encarcerado por nove anos, Tychus ganha a liberdade mas por um preço: sua armadura agora é sua nova cela. Logo, o personagem vira o braço direito de Raynor. Entre outros aliados, Raynor possui uma nave chamada Hipérion, comandada pelos Saqueadores de Raynor: o capitão Matt Horner, o recrutador de mercenários Graven Hill, os cientistas Egon Stetmann e Dra. Ariel Hanson, o engenheiro Rory Swann, entre outros personagens secundários. Cada um deles apresenta personalidade e importância na trama, principalmente por suas informações valiosas.

A Hipérion oferece quatro cenários para explorar: Arsenal, Ponte, Refeitório e Laboratório. Em Arsenal, você faz as compras tecnológicas de base, infantaria, veículos e etc, assim como seus upgrades. Aqui você gasta seus créditos acumulados na campanha. Na Ponte, você pode conferir as missões do jogo no Mapa Estelar, assim como refazer missões e conversar com Horner para descobrir detalhes da missão atual. No Refeitório você pode recrutar mercenários com Hill (também fazendo uso dos créditos), falar com Tychus e o misterioso Gabriel Tosh (parceiro de negócios de Raynor), assistir ao noticiário, mudar a música de um estiloso jukebox ou até mesmo jogar um fliperama – um jogo de nave que empresta o nome do primeiro jogo da Blizzard, The Lost Vikings. E por último temos o Laboratório, que permite fazer pesquisas para montar uma árvore de upgrades com base em estudos das raças Zerg e Protoss. Aqui você utiliza os pontos de pesquisa Zerg e Protoss adquiridos durante determinadas missões, escolhendo entre duas opções na cadeia de DNA dos upgrades. Ainda no Laboratório, lá pra metade da campanha, é possível acessar as memórias de Zeratul (Templário Negro Protoss) para realizar algumas missões secundárias. Missões que provam o quanto a mecânica de StarCraft II é versátil, saindo da fórmula básica de RTS. O mesmo exemplo é repetido na primeira missão com Tosh, na qual você controla apenas o personagem e suas habilidades.

Os Protoss permanecem como raça aliada aos Terranos na luta contra os Zergs, apesar de alguns desentendimentos por parte das ações invasivas de Mengsk e profanação de sua religião. A campanha agora se divide em missões por planetas, que variam de objetivos: escoltar, defender, destruir coisas, coletar recursos, eliminar os inimigos, resgatar aliados, etc. O interessante é que a campanha é aberta para escolhas, cujo suas decisões afetam o andamento da história. A maioria dessas missões é centrada nos Terranos, mas o game também oferece oportunidades de jogar com os Protoss e Zergs em determinados momentos da trama. Com isso você entende melhor a história, além de aprender a comandar as unidades das duas raças.

Antes de partir para o multiplayer, vale ressaltar as novas unidades exclusivas dos Terranos no modo de campanha. As novas estruturas, soldados e veículos adicionam novas estratégias a cada batalha, equilibrando a dificuldade do game e permitindo explorar inúmeras formas de obter êxito em cada missão. Os Terranos contam também com os Mercenários contratados, que funcionam de forma semelhante aos heróis de WarCraft III. E para facilitar ainda mais, o jogo conta com um sistema de checkpoints para evitar que você perca a batalha ao final da missão e tenha que refazer tudo de novo.

A localização do game para o português (BR) é mais do que bem vinda. Diálogos, legendas e até mesmo os detalhes nos cenários foram traduzidos fielmente. Mas sendo sincero, a qualidade da dublagem oscila bastante. Enquanto alguns diálogos convencem em seu tom de voz e interpretação, especialmente os diálogos de Raynor, outros parecem não estar na entonação correta. Isso acontece muito, mas sem irritar o jogador. A única coisa estranha de se ouvir, ao menos nas primeiras vezes, são os diálogos das unidades: “vem sentir o meu amor”, “quero manteiga no biscoito”, “tá afim de treta, moleque?”, entre outros exemplos. Apesar de causar estranheza, vale citar que no inglês os diálogos são os mesmos (exceto pelas gírias adaptadas, claro).

Agora o assunto mais importante: o multiplayer. O que seria de StarCraft sem sua fórmula de sucesso. Há muitos bons jogos de estratégia em tempo real no mercado, mas nada se compara com à fórmula de StarCraft. Naquela época, em 1998, os jogadores se digladiavam na Battle.net usando um modem barulhento de 36 kb. Nada impedia que jogadores de todo o mundo se enfrentassem e fizesse amizades. Porém, se você entrava em uma partida contra asiáticos, especialmente os coreanos, só lhe restava rezar para não tomar “rush” e ver sua base destruída em menos de 5 minutos. Naquela época o jogo não tinha suporte para saber o perfil do oponente, de que país ele é, e seu nível de experiência.

Com StarCraft II, a Blizzard resolveu distribuir o game por região: Europa, América do Norte, América Latina e Ásia. A Battle.net foi traduzida para cada língua e regionalizada. Ou seja, brasileiros só podem jogar contra jogadores da América Latina. Partidas contra norte-americanos, coreanos, japoneses? Esquece. Por um lado isso é bom, pois evita a frustração do jogador ao pegar um oponente cinco vezes mais experiente. Mas como a interface atual permite ver o perfil do jogador adversário (em gráficos de partidas realizadas), não há porque bloquear. Mas infelizmente o bloqueio existe, e se você é um jogador profissional que pretende disputar o mundial, terá que arrumar uma cópia internacional do jogo. Nosso editor Heitor De Paola comprou a edição norte-americana para conferir a dublagem original. Em um teste que realizamos, só foi possível adicioná-lo como amigo, mas não convidá-lo para uma partida multiplayer. Ou seja, o bloqueio é feito pelo jogo e não por IP.

Agora a interface do modo multiplayer permite adicionar amigos em uma lista particular, seja incluindo o e-mail ou nick do seu amigo ou utilizando o recurso de busca integrado com o Facebook. É possível criar grupo, falar com vários jogadores em janelas separadas, e até ver o que cada jogador está fazendo (jogando campanha, numa partida 2×2 contra amigos, etc). Melhor ainda é o sistema de replays, que salva seus jogos multiplayer automaticamente. E como não poderia faltar, o jogo registra suas derrotas e vitórias nos mínimos detalhes, com gráficos, números, data e etc. No geral, a interface é bem completa mas não muito intuitiva. Criar uma partida online não é tão simples como deveria: não há filtro para escolher o tamanho do mapa (1×1, 2×2…), por exemplo. O chat de voz também é deficiente: difícil de configurar e, quando funciona, causa lentidão na conexão com a internet. Neste caso, é preferível usar Skype, MSN ou até mesmo o Steam para falar com os amigos.

Para este review, realizei cerca de 50 partidas multiplayer para poder opinar nos mínimos detalhes. Fazendo um comparativo entre o poder de fogo das raças, os Terranos estão mais equilibrados. Os Zergs não estão tão apelativos quanto no game original, no qual possuia o rush mais eficaz de todos. E os Protoss continuam fortes, mas não mais invencíveis caso tiver todos os seus upgrades feitos. Mas mesmo as raças estando melhor equilibradas em StarCraft II, é incrível como uma partida multiplayer pode durar 10 minutos ou 2 horas, dependendo da estratégia que você adotar.

No quesito unidades do modo multiplayer, há várias novidades interessantes. À favor dos Zergs, os Zerglings agora podem se transformar em Tatu-Bomba, a Rainha ganhou novas habilidades (como o tumor regenerativo), a área de construção pode ser expandida por gosmas produzidas por Suseranos (sem a necessidade de uma Incubadora por perto), e os Mammuthus estão mais fortes, entre outros exemplos. Os Protoss ganharam o Colosso, uma unidade robótica trípede que dispara raios laser, e o poderoso robô de ataque aéreo e terrestre Imortal, além de um portal extremamente útil para se locomover entre pontos distantes. Já os Terranos ganharam os Vikings, naves que atacam no ar e podem se transformar em robôs para ataque terrestre, e o Thor, um mech de artilharia pesada.

Os mapas se dividem entre os oficiais da Blizzard e os customizados, criados pela comunidade com o editor do game. Melhor ainda são os mapas que transformam o RTS em outro gênero, como os mapas Red Circle (Tower Defense) e SotiS (ou Storm of the Imperial Sanctum; DotA). Você pode criar ou entrar em partidas de 1×1 a 4×4 contra amigos, incluindo jogadores controlados pela Inteligência Artificial (caso esteja faltando jogadores). Só não invente de colocar a IA no nível Difícil ou Insano…

StarCraft II é fabuloso. A campanha é sensacional e empolgante do começo ao fim, sempre mudando a estrutura das missões. As conquistas por missões o manterão jogando a campanha por mais tempo, mesmo depois de terminá-la. O vício continua no modo multiplayer, que está mais acessível aos novatos e mais equilibrado que o game original. Se você não joga ou nunca gostou do gênero RTS, experimente jogar StarCraft II ao menos uma vez. Este é um game que pode fazer você mudar de ideia.


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Notas :


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